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segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Animais são maltratados para produzir café mais caro do mundo

Animal em cativeiro na Indonésia
Repórteres encontraram animais em gaiolas apertadas e mal cuidadas
 
Uma reportagem da BBC flagrou cenas de crueldade com animais durante a produção de um tipo de café considerado o mais caro do mundo.

O Kopi Luwak, ou café de civeta, é feito a partir de grãos de café extraídos das fezes do civeta - um animal pequeno, de uma família de mamíferos carnívoros, com pelagem manchada e focinho pontiagudo, que vivem em palmeiras na Indonésia.

Repórteres disfarçados encontraram civetas mantidos presos em gaiolas para produzir o café na Ilha de Sumatra. E especialistas afirmam que os grãos produzidos por esses animais são vendidos como iguarias em diversas partes do mundo.

A popularidade do Kopi Luwak explodiu após o café aparecer em um programa da apresentadora americana Oprah Winfrey e no filme Antes de Partir, estrelado por Morgan Freeman e Jack Nicholson, em 2007.

Muitos revendedores promovem o produto como um artigo silvestre, colhido nas florestas a partir de excrementos de animais livres na natureza.

Em restaurantes, o preço da xícara do café pode chegar a cerca de US$ 95 (R$ 215), e parte do valor é atribuida à dificuldade de se conseguir os grãos.

Disfarçados como compradores, repórteres da BBC visitaram produtores que vendem os grãos em Sumatra. Nas fazendas, eles encontraram gaiolas mal cuidadas e apertadas e um civeta gravemente ferido - em cenas que contrariam a imagem vendida aos consumidores de "produto silvestre".

Produtores em Takengon, no norte de Sumatra, contaram à BBC que vendem os grãos para exportadores, que comercializam o produto na Europa e em outros países asiáticos.

Enjaulados

Depois de ver as imagens dos civetas engaiolados gravadas secretamente, o pesquisador Neil D'Cruze, da Sociedade Mundial para Proteção de Animais, disse que os bichos pareciam "totalmente deprimidos e infelizes"

"Esses animais silvestres têm comportamentos que precisam e querem expressar", afirmou D'Cruze. "As gaiolas são completamente secas, imundas e sem lugar para eles subirem."
Cativeiro de civetas na Indonésia
Jornalistas disfarçados visitaram fazendas em que animais eram mantidos em pequenas jaulas
O ex-empresário do setor de cafés Tony Wild, autor do livro Coffee: A Dark History ("Café: Uma História Sombria", em tradução livre), diz estar "totalmente convencido" de que os grãos produzidos por animais enjaulados são vendidos em Londres.

Wild diz acreditar que muitas vezes é enganoso vender o produto como um artigo silvestre. "O motivo por que tantas pessoas reproduzem essa história é que, por ser incrivelmente raro, você pode manter um preço ridiculamente alto", afirma.

Sem controle

Durante a reportagem em Takengon, a BBC conversou com produtores que mantinham os animais engaiolados e diziam vender grãos do Kopi Luwak para a Sari Makmur - uma empresa de exportação baseada na cidade indonésia de Medan - usá-los na produção do café comercializado com o nome de Wild Luwak.

O vice-presidente da Sari Makmur, Andry Spranoto, admitiu para os repórteres disfarçados da BBC que a empresa não tem como controlar os ingredientes do Wild Luwak.

A companhia disse que perguntava aos produtores se os grãos eram silvestres e eles diziam que sim, mas a empresa não checava a informação.

"Pra ser sincero, não estamos empenhados em vender o Wild Luwak porque não podemos controlá-lo", afirmou Spranoto.

Sem maus-tratos

Pesquisadores disfarçados como compradores também visitaram uma propriedade da empresa perto da cidade de Sidikalang, também em Sumatra. Alega-se que lá os grãos são colhidos de animais livres na natureza.

A propriedade, chamada Wahana, não tem relação com as fazendas de civetas ou com as cenas de crueldade observadas pela BBC em Sumatra.

Animal em cativeiro na Indonésia
Um dos animais flagrados pela reportagem da BBC na Ilha de Sumatra estava gravemente ferido
O café premium produzido na propriedade, o Wahana Luwak, é vendido como artigo silvestre na luxuosa loja de departamentos Harrods, uma das mais conhecidas de Londres.

Os grãos do café chegam à capital britânica por meio de uma cadeia formada por uma importadora independente e um outro fornecedor.

"É silvestre, claro que é silvestre", diz Spranoto, sobre o Wahana Luwak. "Mas esse café vem com 100% de certeza de Wahana porque nós o monitoramos."

O vice-presidente da empresa garantiu aos repórteres disfarçados que não havia animais encarcerados em Wahana e que um programa de reprodução conduzido na propriedade foi concluído em 2007.

A BBC também entrou em contato com duas importadoras do café da Sari Makmur que confirmaram ter visitado a propriedade em 2011 e não ter visto nenhum civeta enjaulado.

Mas um funcionário da propriedade, que pediu para não ser identificado, revelou a presença de animais encarcerados em Wahana. Segundo ele, os civetas eram bem tratados no local.

"Nós colocamos cada civeta em um espaço próprio", disse o funcionário. "O espaço tem três metros quadrados e um chão de cimento, que é limpo e lavado todo dia."
Não há sinais de animais maltratados na propriedade.

Casas de madeira e frutas

Quando a BBC mais tarde entrou em contato com a Sari Makmur para revelar sua apuração, a empresa confirmou a presença de animais encarcerados em Wahana, mas insistiu que os grãos extraídos de civetas em cativeiro não são vendidos.

A companhia afirma que toda a produção comercializada a partir da propriedade tem origem em animais silvestres.

"Colocamos casas de madeiras e frutas na vizinhança para atrair os civetas silvestres para circular em nossa propriedade Wahana e produzir o café", disse a empresa, em um comunicado.

"No nosso programa de civetas em cativeiro, nós estudamos o comportamento animal, a sua dieta e o seu comportamento para reprodução", acrescenta o texto.

"Para atender a demanda deste mercado, nós criamos nossos próprios civetas e os soltamos na nossa propriedade quando eles estão maduros o suficiente."

"Não vendemos nenhum dos grãos de café dos civetas em cativeiro já que isso vai contra o nosso modelo de negócios", conclui o comunicado.

A BBC também perguntou à Harrods se a loja se preocupa com os sinais de que a Sari Makmur mantém animais em cativeiro longe dos olhares de visitantes ocidentais.

"A Harrods trabalha com todos os seus fornecedores para garantir que os mais altos padrões éticos de abastecimento, produção e venda sejam mantidos", respondeu a loja. "Isso se realiza por meio de rigorosos procedimentos de auditoria."

"Nosso fornecedor exclusivo (a Sari Makmur) deu à Harrods todas as garantias de que o café que recebemos é orgânico e colhido de civetas de palmeiras silvestres", acrescenta o comunicado.
A Harrods disse ainda que está trabalhando com seu fornecedor para investigar as informações da reportagem da BBC. "Se necessário, vamos rever a venda do produto", afirmou uma porta-voz da loja.
O café Wild Luwak, que o vice-presidente da Sari Makmur admitiu não ter como controlar, não é vendido na Harrods.

Fontes : http://www.bbc.co.uk

domingo, 18 de agosto de 2013

Preço do café é o mais baixo dos últimos quatro anos

Preço do café é o mais baixo dos últimos quatro anos

Os produtores de café amargam o pior preço dos últimos quatro anos. A saca de 60 quilos, que em 2010 chegou a ser vendida por US$ 309, está sendo comercializada pela metade do preço. Segundo especialistas, a explicação pode ser a quantidade menor de contratos futuros firmados para esta safra. Nem as medidas anunciadas pelo governo, que marcou leilão de opções para março visando garantir um preço mínimo aos produtores, animam o setor.

Mais de 50% da safra de café 2013/2014 já foi colhida. Até setembro, final do ciclo, a estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) é chegar a 48 milhões de sacas de café. Para um ano que não é de produção cheia, o volume foi positivo e se aproximou do número da última safra, que chegou a quase 51 milhões de sacas. Se o volume foi parecido, os preços caíram. O analista de mercado, Roberto Costa Lima, diz que produtor está recebendo em média US$ 149 pela saca de 60 quilos.

Os preços praticados são bem inferiores ao que a gente viu no mesmo período do ano passado. Ele veio na trajetória de queda nos preços, trabalhando próximo das mínimas, inferior até aquela alta grande que começou em 2009, culminando em US$ 308 por saca e, hoje, a gente tem trabalhado em torno de US$ 149 por saca, níveis inferiores ao ano passado – disse.

A safra passada começou com um número significativo de contratos futuros, este ano foi diferente.

Qualquer melhora de preço no mercado traz um volume muito grande de venda no café. O que foi isto? A safra do ano passado entrou com uma parte maior fixado, vendido antecipadamente. Então, isto tira um pouco café do mercado. Este ano já tinha expectativa que tinha muito pouco fixação por conta dos preços baixos, que se viu nas épocas das fixações do final para o começo deste ano. A gente não viu muita fixação – disse.

Mesmo com a onda de frio do mês passado, que atingiu as regiões produtoras no norte do Paraná, e interior de São Paulo e Minas Gerais, a produção da safra atual não deve ser prejudicada, segundo o analista de mercado, Eduardo Carvalhaes.

O mercado não trabalha com a expectativa de faltar café, sobrou café da safra anterior. Não sabemos quanto café sobrou, mas o governo não divulgou o estoque de passagem no final de junho. Então, o mercado não sabe este número, o mercado estima que sobrou café. Alguns compradores falam em 10, 12 milhões de sacas. Acho exagero, mas este número corre no mercado porque não existe um número oficial de estoque de passagem no final de junho. Esta safra esta atrasada, mas agora acelerou a colheita. A qualidade da safra não deve ser boa, choveu no começo da colheita, mas deve ser suficiente para necessidade brasileira de exportação e consumo nesta safra – destaca o analista.

Na semana passada o governo anunciou que vai adquirir três milhões de sacas e marcou um leilão de opções para o mês de março. Para o próximo ano o cenário não é animador. A safra deve ser cheia e o volume produzido maior. A tendência é que os preços se mantenham estáveis, em muitos casos não cobrindo nem os custos dos cafeicultores.

O ano de 2014 terá uma safra maior, safra das grandes. A expectativa é para números bastante grandes em termos históricos. De qualquer jeito tem que ficar de olho nos outros produtores mundiais. A gente não produz café sozinho, então, tem que ver o que vai acontecer nos outros produtores – disse.

Fonte: Canal Rural

domingo, 11 de agosto de 2013

Preço do café arábica está 30% menor em relação a agosto de 2012

Preço do café arábica está 30% menor em relação a agosto de 2012

Há dois meses, produtores se queixam e pedem ações do governo.
Providências foram anunciadas e surtiram algum efeito no mercado.

Medidas divulgadas pela presidente Dilma Rousseff, na última quarta-feira (7), em Varginha, no sul de Minas Gerais, trazem três principais novidades.

O governo vai destinar R$ 1,5 bilhão para compra e financiamento de estocagem. Haverá a compra direta de um milhão de sacas pelo preço mínimo de R$ 307 a saca. Além disso, serão adquiridos três milhões de sacas, através de contratos de opção, na base de R$ 343 a saca.

As medidas vinham sendo reivindicadas há dois meses pelos produtores. Eles acharam que agora pode haver uma melhoria dos preços com a retirada do mercado de perto de quatro milhões de sacas.

Desse total, um milhão de sacas é de pequenos agricultores. Além disso, os pequenos produtores, se quiserem, também poderão aderir aos contratos de opção que representam as outras três milhões de sacas a serem adquiridas pelo governo.

As medidas surtiram algum efeito no mercado. Na sexta-feira (9), em Guaxupé, MG, a saca do arábica foi vendida por R$ 293, alta de 3,5%. Em Cacoal, RO, o conilon saiu por R$ 220, preço estável.

Fonte : http://g1.globo.com

domingo, 28 de julho de 2013

Cafeicultores protestam contra o preço do café arábica no Sul de MG

Saca está sendo cotada a um valor 30% menor que no ano passado.Documento com reivindicações será encaminhado para o governo federal.

Cerca de 1,2 mil pessoas ligadas à cafeicultura se reuniram em Nova Resende (MG) neste sábado (27) para protestar contra o baixo preço do café arábica, que é o mais produzido no Sul de Minas. A saca está sendo cotada a R$ 280, valor 30% menor que no final de julho do ano passado, quando o produto chegou a custar R$ 400.

O protesto reuniu produtores, trabalhadores rurais e representantes de sindicatos e cooperativas de mais de 40 municípios da região. Eles discutiram propostas para tentar reverter a crise do setor cafeeiro. Eles dizem que o valor da saca de 60 quilos não cobre o custo com a produção.

Segundo o presidente da Comissão Nacional do Café, Breno Mesquita, o produtor passa por um momento delicado e as dificuldades afetam não só os agricultores do Sul de Minas, mas também de outras regiões produtoras de café no país. Conforme ele, todos esperam uma ação do governo federal para que a saca seja valorizada e o cafeicultor volte a trabalhar com tranquilidade.

Todas as discussões e sugestões para melhoria no setor cafeeiro serão registradas em um documento. O objetivo dos organizadores é levar os pedidos para Brasília e buscar apoio do governo federal. Uma comissão formada neste sábado vai definir nos próximos dias a data em que o documento com as reivindicações será encaminhado para o governo.

Cafeicultores protestam pelo baixo preço do café em Nova Resende (Foto: Reprodução EPTV)
Cafeicultores protestam pelo baixo preço do café em Nova Resende 
(Foto: Reprodução EPTV)

domingo, 21 de julho de 2013

Meteorologia reduz perspectiva de danos ao café

Modelos meteorológicos se consolidam apontando temperaturas não tão baixas, reduzindo perspectivas de danos para lavouras de Café :

Mão colhe grãos de café
Grãos de café: avanço do frio, vindo do Sul, está mais lento que o previsto, agora, ao invés da madrugada do dia 23, as temperaturas mais intensas estão previstas para a noite do dia 23 e madrugada do dia 24


São Paulo - As perspectivas de danos para lavouras de café com uma onda de frio que chegará ao Sul/Sudeste do Brasil na próxima semana foram reduzidas nesta sexta-feira, à medida que os modelos meteorológicos se consolidam apontando temperaturas não tão baixas, disseram especialistas.

"Os últimos modelos de previsão mantêm as chuvas, mas enfraqueceram um pouco o frio que chega às áreas de café, além de atrasar sua entrada sobre a região Sudeste", disse a Somar Meteorologia em seu boletim diário.

Os futuros do café na bolsa de Nova York chegaram a registrar na quinta-feira o maior valor em quase dois meses, com temores de que geadas poderiam afetar plantações no país que é o maior produtor e exportador mundial do produto. Os preços mantinham a alta nesta sexta-feira, mas operavam abaixo da máxima de 1,34 dólar da véspera.
Meteorologistas alertam que o frio mais intenso vai ficar concentrado na região Sul do Brasil, na sul de São Paulo (próximo à divisa com o Paraná) e em regiões de Mato Grosso do Sul.
Paraná e São Paulo são, respectivamente, o terceiro e o quinto produtores de café do Brasil.
As áreas de maior produção estão em Minas Gerais, abrangendo também regiões do norte de São Paulo.

"Ontem (quinta-feira) havia uma perspectiva de geada para São Paulo na terça-feira. Os modelos meteorológicos de hoje recuaram um pouco", disse à Reuters a meteorologista Aline Tochio, do Climatempo.Os especialistas lembram que, para a formação de geada, é necessária uma combinação de fatores como céu claro, solo com pouca umidade e ventos fracos, além de temperaturas abaixo de 4 graus, em média.

"A dúvida é quando haverá o ponto de geada", disse a meteorologista do Climatempo, lembrando que os dias anteriores ao frio mais intenso serão bastante chuvosos, elevando a umidade do solo.

A Somar Meteorologia aponta que o avanço do frio, vindo do Sul, está mais lento que o previsto e que agora, ao invés da madrugada do dia 23, as temperaturas mais intensas estão previstas para a noite do dia 23 e madrugada do dia 24, com mínimas de 2 graus no norte do Paraná e sul de São Paulo.

"Ainda temos o risco de algumas geadas fracas e isoladas, mas agora não vemos possibilidade desse sistema trazer frio intenso para as demais áreas produtoras de café, como a Mogiana e o sul de Minas Gerais", disse a Somar.

Fonte : http://exame.abril.com.br